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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tecnologia a favor das pessoas portadoras de necessidades especiais

A revolução digital também promove a inclusão de portadores de deficiências no mundo tecnológico.
As pessoas com necessidades especiais enfrentam inúmeras dificuldades em seus ambientes de estudo, trabalho e até mesmo lazer. Isto porque não conseguem se adaptar a muitas práticas do cotidiano, que envolvem a participação dos sentidos, habilidades e recursos que uma pessoa portadora de alguma deficiência muitas vezes não consegue desenvolver.

No entanto, felizmente, empresas e pesquisadores buscam facilitar a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho e, em geral, no convívio social. É uma maneira de reverter o quadro descrito acima, através da criação de novos produtos adaptados às necessidades do portador, como veremos alguns exemplos a seguir.


Como anda a situação no Brasil

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 25 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, ou seja, o número corresponde a 14% da população do país — sendo que 40% representam o grupo de deficientes visuais (parcial ou total).

Isso levou o governo a tomar providências e implantar melhorias nas cidades para trazer maior segurança e comodidade a esta parcela da população. Alguns municípios possuem ônibus especiais com bancos preferenciais, gravações e letreiros luminosos informando a próxima parada, e plataformas para acesso de cadeira de rodas. Outro exemplo são os dispositivos sonoros para avisar quando o semáforo fica verde ou vermelho.


 
Outra maneira encontrada para prestar assistência aos deficientes foi a de garantir maior chance na disputa por um emprego ou por uma vaga nas universidades. O artigo 93 da legislação de 1991 assegura que empresas com 100 ou mais funcionários devem “preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência”. Já as instituições organizadoras de concursos públicos devem destinar 5% das vagas ao grupo.

Além de facilitar a integração dos deficientes através da implementação das políticas afirmativas, bem como da adaptação de espaços públicos para que ofereçam às pessoas portadoras de alguma necessidade especial a possibilidade de participação nas atividades regulares dos demais cidadãos, o Brasil — como forma de incentivo — busca oferecer subsídios e isentar de alguns impostos as empresas de tecnologia que se comprometem a desenvolver produtos adaptados às necessidades daquelas pessoas. O Governo Federal faz isto também com o intuito de reduzir os custos de produção, para que, consequentemente, o produto chegue mais barato na mão dos consumidores.

No início do mês, o Instituto de Tecnologia de Software de São Paulo (ITS) assinou uma parceria com a TechAccess para desenvolver um computador com custo em torno de R$ 3 mil para o consumidor – incluindo hardware e software – adaptado às pessoas com nanismo, assim como deficientes visuais ou físicos.

Pesquisas em universidades brasileiras

As universidades brasileiras também assumem a responsabilidade de desenvolver projetos, visando o bem-estar dos portadores de necessidades especiais.
 
A Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ) trabalhou com o Ministério de Educação para criar o software gratuito MecDaisy, nomeado assim por ser baseado no padrão internacional Daisy (sigla em inglês para Sistema de Informação de Acesso Digital).

O programa permite a transformação de textos escritos para a linguagem oral, digitalmente narrados através de um sintetizador de voz. Ainda oferece a adaptação em caracteres ampliados, opção de impressão em Braille e descrição de figuras, gráficos e imagens presentes no texto.

Já pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) construíram o protótipo de um aparelho capaz de traduzir documentos e páginas da Internet diretamente para o alfabeto Braille, descartando a necessidade de impressoras especiais. A superfície do chamado dispositivo anagliptográfico exibe os sinais em alto relevo e funciona como uma espécie de teclado de leitura conectado com computadores e notebooks.

Gadgets em prol dos cegos

Em janeiro deste ano, o músico Stevie Wonder compareceu à Consumer Electronics Show para defender a inclusão dos deficientes visuais na revolução digital. Ele e outros defensores da causa declararam no evento que as empresas precisam levar em consideração as necessidades desse grupo, fabricando aparelhos com interface mais simples para atender o público em geral.

O alvo da reclamação é a nova onda de eletrônicos com tela sensível ao toque. Os botões de rádios e microondas podiam ser identificados através do tato, sendo fácil de utilizar depois que o usuário se acostumasse com o teclado. Ao contrário da navegação por menus do touchscreen que, por vezes, necessita que a pessoa esteja (de fato) vendo a tela para usar o aparelho.

Algumas empresas se preocuparam em simplificar o manuseio dos seus produtos em prol dos deficientes visuais. A Toshiba lançou há poucas semanas atrás o celular Tactility. O design do teclado foi projetado em alto relevo, com algarismos na linguagem Braille, e permite que o usuário amarre um cordão para usar o celular em volta do pescoço.


A Samsung já está desenvolvendo seu segundo modelo de celulares para cegos, ainda em fase de desenvolvimento. O primeiro, lançado em 2006, chegou a receber o prêmio no Industrial Design Excellence Awards (IDEA) no mesmo ano. O celular Touch Messenger possui uma tela que possibilita o usuário a escrever e receber mensagens de texto em Braille através dos 12 botões dispostos no teclado.



O novo modelo ainda está em fase de desenvolvimento, mas já podemos conferir imagens do protótipo. Ele oferece praticamente as mesmas funções do Touch Messenger, com o design semelhante ao controle remoto de uma televisão. A inovação fica por conta do sistema “Electric Active Plastic”, capaz de gerar um código em Braille na tela do celular.






Mouse ocular para deficientes motores

A Universidade Federal de Manaus (AM) e a Fundação Desembargador Paulo Feitosa investiram seis anos no projeto do software e hardware. O mouse ocular permite que portadores de necessidades especiais (tetraplégicos, distrofia muscular, doenças degenerativas) possam usar plenamente o computador.

São fixados eletrodos na região próxima aos olhos da pessoa, responsáveis por converter os movimentos em comandos do computador. O mouse é controlado através da movimentação dos olhos e uma piscada é traduzida com um clique. Para digitar textos, o usuário pode utilizar um teclado virtual. Confira uma entrevista com os pesquisadores do projeto no vídeo abaixo, saiba mais sobre como funciona o mouse ocular e como essa tecnologia pode ajudar milhares de pessoas.

Stephen Hawking

Stephen Hawking é o maior exemplo de que a tecnologia pode ser uma aliada para os portadores de deficiências físicas e motoras.

Considerado um dos mais consagrados físicos teóricos de todo o mundo, Stephen Hawking convive com uma doença degenerativa — e ainda sem cura — chamada esclerose lateral amiotrófica, que paralisa os músculos do corpo, porém sem atingir as funções cerebrais.
Hawking, que não consegue movimentar voluntariamente sua musculatura, utiliza um sintetizador de voz para poder se comunicar com as pessoas, dentre elas, seus alunos. Pois é, por mais incrível que possa parecer e apesar de todas as dificuldades que enfrenta pelas suas limitações físicas, o cientista leciona na Universidade de Cambridge, instituição na qual ocupa o posto de professor lucasiano de Matemática, cadeira já pertencente a ninguém menos do que Sir Isaac Newton.

A cadeira de rodas de Hawking é adaptada com equipamentos para atender suas necessidades. Depois de perder o movimento dos dedos, o cientista encontrou outra maneira de se comunicar. Um dispositivo acoplado na armação de óculos e conectado ao computador permite que Hawking “digite” frases através de movimentos dos músculos da fase, direcionando o raio para as palavras que deseja escrever.

A fonte de energia para o funcionamento do computador também foi adicionada à cadeira de rodas. Além da fonte interna, foram acopladas baterias parecidas com as de carros, na parte de baixo da cadeira. 
 
Fonte:  Marluce Peron



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

“Clínica virtual” propõe reabilitar viciados no Facebook - Camila Silva e Izamara Barboza

A carioca B. Salles trabalhava em tempo integral como recepcionista em uma empresa de engenharia no Rio de Janeiro, mas era só no final do dia que o trabalho realmente começava. Ela corria para terminar as tarefas do dia, mas nem sempre conseguia, porque passava o dia todo acompanhando as novidades dos amigos em redes sociais, como Orkut e Facebook. "Confesso que fui negligente, pois eu ficava muito tempo 'presa' nas redes para acompanhar atualizações dos amigos", disse ela ao iG. Nem as "broncas" do chefe, nem o bloqueio do acesso a certos sites, impediram B. de acessar as redes sociais. "Eu sempre achava uma forma de burlar essas restrições."
Após um período na empresa, B. deixou o trabalho para se mudar para outra cidade. Quando voltou ao Rio, porém, procurou o ex-chefe para tentar recuperar o trabalho, mas não conseguiu. "Encontrei as portas fechadas, obviamente por conta do meu histórico com redes sociais", diz B. "Até hoje não consigo me perdoar por causa disso."
Apesar de pouca gente aceitar se considerar viciada em redes sociais, o problema é mais comum do que se imagina. No Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) mantém, inclusive, um grupo de apoio à viciados em internet desde 2006, que ajuda também aqueles internautas que não conseguem se desconectar das redes sociais. "Eles são dependentes da interação virtual com outras pessoas, porque não têm habilidades sociais muito desenvolvidas no mundo real", explica Dora Sampaio Góes, psicóloga do Ambulatório Integrado de Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas (HC).
O problema também chamou a atenção do americano Dan Peguine, um empreendedor do ramo de internet que se considera um viciado em redes sociais por acessar o Facebook cerca de 30 vezes por dia. Em conjunto com Siavosh Arasteh, um amigo que sofre com o problema, ele fundou o site FaceAnonymous para reabilitar usuários que, como ele, são obcecados em checar as atualizações, fotos e comentários de seus amigos no Facebook, a rede social mais popular em todo o mundo cerca de 750 milhões de usuários.
A ideia de criar um grupo para que internautas compartilhem suas experiências a respeito do vício de acessar o Facebook mais do que o normal surgiu em uma conversa entre os dois amigos há cerca de um mês. “Nós dois gastamos muito tempo conectados ao Facebook naquele dia e percebemos que checar o Facebook constantemente tinha um impacto negativo em nossa produtividade”, disse Peguine ao iG.
“Estamos em uma missão para ajudar o mundo a gastar seu tempo de uma forma mais sábia”, disse Arasteh por meio de sua conta no Twitter, no início de agosto quando a página do FaceAnonymous entrou no ar. O serviço ainda está na primeira fase, que consiste em um desafio que os fundadores propuseram a si mesmos e aos internautas: registrar o número de vezes que acessam o Facebook diariamente em uma planilha pública disponível pelo site oficial do FaceAnonymous e tentar reduzi-lo para apenas dois acessos por dia.


Mais tempo gasto em redes sociais


Em crescimento no mundo todo, as redes sociais ocupam cada vez mais tempo dos internautas. Só nos Estados Unidos, nove em cada 10 pessoas com conexão à internet acessam as redes sociais pelo menos uma vez por mês, de acordo com estudo divulgado pela consultoria comScore. Com isso, as redes sociais se tornaram o local onde as pessoas passam 12% do tempo online ou 4,5 horas de permanência por mês. Sozinho, o Facebook é destino de um em cada três sessões de navegação na internet, o que aumentou o tempo gasto no site em 79% no período de um ano.
No Brasil, as redes sociais formam a segunda categoria de sites mais acessada pelos usuários, perdendo apenas para os buscadores. De acordo com a comScore, 70% das pessoas com conexão de internet no Brasil acessaram algum tipo de rede social em 2010, 4% mais que em 2009. Embora nem todos os brasileiros tenham computador em casa, essa categoria de sites respondeu por 16% do tempo gasto online no País, a frente de outras categorias populares, como mensagens instantâneas.
“É importante entender que as tecnologias sociais ainda são relativamente novas em nossa sociedade e mudaram a forma como nos relacionamos com os amigos, grupos e marcas”, diz Peguine.


De 600 acessos a menos de 10

Ironicamente, a página do FaceAnonymous inclui um espaço para comentários no próprio Facebook e até o botão Curtir, que já foi acionado por cerca de 2 mil internautas que visitaram a página. “A popularidade do site em alguns blogs nos mostrou que o vício no Facebook é um problema evidente para muitas pessoas”, diz Peguine.
Até agora, 70 internautas aderiram ao desafio, que termina ainda não tem data para terminar. Segundo Peguine, 20 pessoas começaram a compartilhar informações por meio da planilha já no primeiro dia após o lançamento do site. O experimento servirá como base para desenvolver o serviço. “Queremos ter certeza de que nossa ferramenta corresponda ao que as pessoas querem e que, ao mesmo tempo, seja divertida”, diz Peguine.
Segundo Dora, do HC, registrar quantas vezes acessou a rede social em um diário, por exemplo, realmente ajuda os viciados a entenderem melhor o vício e porque acessar a rede social os faz sentir melhor. "Conforme eles percebem porque acessam tantas vezes a rede social, eles começam a diminuir os acessos", diz a psicóloga. No tratamento de 18 semanas do HC, que é gratuito, os médicos não proíbem o paciente de acessar a internet.
Se tudo der certo, depois de colher dados no período do experimento, Peguine e Arasteh começarão a desenvolver o FaceAnonymous. Os fundadores criaram um sistema de cadastro de e-mails no site para avisar os interessados quando a ferramenta estiver pronta. “Temos diversas ideias sobre os recursos que queremos desenvolver no projeto”, diz Peguine.
Segundo Peguine, compartilhar diariamente o número de vezes que acessa a rede social tem ajudado a ele e a outros internautas, inclusive brasileiros, a compreender melhor o uso que fazem de seu tempo. “Em pouco mais de uma semana, já consegui reduzir o número de acessos para entre cinco e sete, mas continuo tentando cortar para apenas dois”, diz ele.
A maior parte dos viciados em internet, segundo Dora, consegue se recuperar e continua a usar a internet após o tratamento. "Nas reuniões do próprio grupo, eles já começam a interagir uns com os outros", diz ela. O próximo passo, que acontece aos poucos, é se envolver com atividades do "mundo real", como ir ao cinema com os amigos, retomar algum curso ou esporte. "Um aposentado de 71 anos usou a habilidade dele com a internet para retomar o trabalho", conta. Até agora, mais de 100 pacientes já passaram por tratamento no HC.

 


 Fonte:
Claudia Tozetto, iG São Paulo | 24/08/2011 05:30